Desde ontem que se noticia que o Sporting poderá vir a celebrar uma parceria com o Atlético, no âmbito da qual José Lima seria o treinador principal da equipa da Tapadinha e alguns jogadores seriam cedidos. No que poderia ser uma notícia positiva, tinha dúvidas se seria a melhor opção para o Sporting e para o próprio Atlético por duas razões: pelo tamanho do campo do Atlético e por se prever que a Direcção do clube não deixaria de reconhecer o mérito daqueles obtiveram a subida à Liga Orangina. E se as condições do campo da Tapadinha são históricas, tivemos aqui a confirmação de que poderá não ser tão líquido assim encarar o Atlético como algo próximo de uma Equipa B.
Com todo o respeito pelos adeptos do Atlético, preocupa-me bem mais a primeira razão que a segunda. É certo que o campo da Tapadinhatem as dimensões de um campo de futebol (o seu sintético tem as dimensões de um campo de andebol…), mas não deixa de ser curto e apertado, o que complica substancialmente o que se pretenderia na colocação dos jogadores do Sporting: que pudessem jogar no Modelo Sporting.
Isto porque, embora os jogadores tecnicamente mais fortes estejam mais aptos a sair de zonas apertadas, as reduzidas dimensões do terreno fazem com que exista uma maior proximidade à baliza e, consequentemente, um risco maior aquando da perda da bola em zonas de construção. Mesmo que a solução do Atlético passasse por uma filosofia de jogo consentânea com o Modelo Sporting, todos os adversários teriam um forte incentivo a recorrer ainda mais ao jogo directo e ao futebol musculado que já caracterizam a Liga Orangina.
Seria por isso complicado gerir, para jogadores ainda em formação, um perfil de jogo ao qual não estão minimamente habituados, mas que está no ADN da Liga Orangina. Ou seja, se o os primeiros anos de sénior costumam ser exigentes do ponto de vista da adaptação aos ritmos de jogo, mais ainda se tornam se aos adversários se reforça o incentivo de jogar um futebol que coloca muito ruído no jogo e torna difícil a missão de construir.
Em consequência, poderíamos ter o indesejado reverso da medalha no empréstimo: estando os actuais jogadores do Atlético mais habituados a jogar nas condições específicas do relvado da Tapadinha e ao tipo de jogo mais característico das divisões anteriores (a IIª-B é mais semelhante ao futebol da Orangina do que da divisão principal), um treinador que pretendesse manter os objectivos desportivos e a coesão do grupo intactos, tenderia a privilegiar os experientes sobre os inexperientes.
Nessa medida, o empréstimo de um conjunto de jogadores poderia resultar no oposto do pretendido: serem opções preferenciais para o banco, o que poderia colocar uma mancha e um travão na continuidade da sua formação. A má experiência vivida no Real Sport Clube pelos jogadores emprestados pelo Sporting aconselha, de forma redobrada, a cautelas quando se projecta uma parceria do mesmo género.
Por último, não estou a ver que jogadores o Sporting poderia ter interesse em emprestar ao Atlético e não vejo que, atendendo às circunstâncias, não seja melhor reforçar a cooperação com o Cercle Brugge. Aqueles que serão seniores de 2º ano (Cédric Soares, Renato Neto, Nuno Reis) encontram espaços competitivos melhores para actuar, aqueles que passam a seniores esta temporada (William Carvalho, Afonso Taira, Luís Ribeiro, Miguel Serôdio) – com a excepção de Zézinho – teriam dificuldades em adaptar-se às condições da Tapadinha.
Esperemos, portanto, pelos próximos desenvolvimentos e – confirmando-se a parceria – que esteja enganado.



1 comentários:
um belo comentário
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